sábado, 31 de outubro de 2009


Com permisso ou sem permisso,

Por milonga apeio e canto,
Renasci de um campo santo

Aluimbrado por fogones...

E de gauchos simarrones

Tambem trago a rebeldia
Na sincera melodia

Devo ser um guarani

Que canta e que sente em si
Alma, campo e nostalgia...


Se a verdade galopeia

Noite a dentro, alma afora,

Feito Umbu que hoje escora

A linguagem dos fogones,

Solo gauchos simarrones

Que hermanaram rebeldia

Na sincera melodia

Que teimo em cantar aqui

É porque gaucho nasci,

Alma, campo e nostalgia...


Choro o triste do meu povo

Massacrado tempo adentro,

E busco a força dos ventos

Fechando os olhos pra o mundo.

Meu verso pampa fecundo

Tambem vem do campo santo,

E fez um dia meu pranto

Renascer cá na cidade,

Onde um cantor de verdade

Parou pra ouvir o meu canto.


Era o sabiá andarilho

Do céu de todos os meus,

Do ceu pintado por Deus

Para o olhar de quem sente.

Sabiá de canto dolente

Pousou pra ouvir o que tenho,

E sentiu porque mantenho

As precisoes de cantar.
Não me pessam pra parar

Quem não sabe de onde venho.


Há na verdade do homem
O olhar de quem o criou,

E pra quem nunca escutou

A singeleza dos ventos

Nenhum sabia céu adentro

Deve entender, yo lo creo.

Bueno, componho os arreio,

Por milonga me despesso

E quem não sabe o que peço

Vá descobrir de onde venho.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Entra sol e cai sereno, e a vida fica mais vida...






Por ela eu rondo cantando...
Por ela eu rondo cantando...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

... e por falar em verso?!

Além da Vida




Viajei ao futuro
E não me agüentei sem te beijar.
Vi os olhares, os sorrisos,
Uma palavra de meu dengo.
Um riso prendido
Um “eu te amo" com os olhares
Um “até breve” com um beijo na mão
Um “me espere” com uma lagrima!

Então me perguntei se viajei mesmo pra o futuro.
Outrora senti essas mesmas coisas
“Eu-te-amos”, “até-breves”, “me-esperes”,
Já foram olhados, beijados, lacrimejados.

E então, viajei ao passado.
E sem ponto de partida
Sem começo e sem final,
Me perdi sem saber,
Em qual parte, encaixamos o começo.

Talvez no “me espere” do Sul do Mundo,
Nos Tantos “ate-breves” após o primeiro beijo,
Ou ainda, no Eu te amo de um 10 de Maio.

Fechei os olhos, e vi quão próxima de mim estás tu!
Talvez num domingo possa sentir teu bailado junto o meu.
Tocar tua mão, mas não te beijar.
Que importa?!
EU TE AMO, mesmo!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

A Vida Tem Disso



Vou ser breve!
Ainda querem me falar em identidade.
Eu sei dos meus conceitos, das minhas limitações, sei que muita gente por ai se acha igual a mim na maneira de pensar e agir, e fazer as coisas, mas graças a Deus eu não preciso agradar ninguem com o que eu faço, e nem faço nada pra faze media com alguem...
NUNCA VOU FAZER NADA PRA FAZER MEDIA COM NINGUEM OU SIMPLESMENTE PRA APARECER "NA MIDIA".
Hoje eu ouvi uma musica, dessas que concorrem nesses festivais por aí, que sinceramente, me deu vontade te dizer NÂO, PAREI!

Femic velho faz a cabeça de qualquer um, sorte que eu não sou qualquer um...
Não vou manchar meu nome pra dizer, EU FUI LÁ!
Eu já fui lá, e não vou mudar minha forma de pensar, não vou ser medíocre, não vou me rebaixar...
Prefiro ficar mudo à falar (cantar) porcaria só pra fazer politica!

Mediocres, é o que são!

sábado, 22 de agosto de 2009

Morada

Então, ontem eu escrevi de novo,
e agora estou aqui para falar do que senti.
Senti a Lua perto.
De certo, eu sei que estou acordando de um sonho, que estou voltando pra realidade. E nessa hora sonhos e realidades se confundem...
Escrevi sobre as coisas que se tornam forte a cada dia, que me fazem bem, que me deixam com saudade, que me fazem voar, ir e voltar, pra qualquer lugar que seja, pra onde for, pra qualquer parte do mundo. Sou um pássaro novo, e quero voar também.
Mais uma vez eu fiz o que já havia feito, com meu coração. E foi bom. E quero de novo.
Deixar as coisas acontecerem quando se está em paz, ouvir as musicas que gosto quando quero, e sonhar novos sonhos pra os fazê-los reais.
Sou assim, idealizador de todos os meus sonhos. Sou dono dos meus desejos, e além de tudo, sou o Senhor de mim mesmo.
Não me importo com o que dizem...
Quero ter de volta o que é meu, e eu sei que tenho...

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Con la Luna en la Cabeza...

Colecionista de Canciones - Camila



Tu, coleccionista de canciones,

Dame razones para vivir.
Tu, la dueña de mis sueños,
Quedate en ellos y hazme sentir...
Y asi, en tu misterio poder descubrir
El sentimiento eterno.

Tu, con la luna en la cabeza,
El lugar en donde empieza
El motivo y la ilusion de mi existir...

Tan solo tu, solamente quiero que seas tu,
Mi locura, mi tranquilidad y mi delirio, mi compás y mi camino...
Solo tu solamente quiero que seas tu,
Yo pongo en tus manos mis destino porque
Vivo para estar siempre, siempre, siempre, siempre
Contigo amor...

Tu, coleccionista de canciones
Mil emociones son para ti
Tu, lo que soñe mi vida entera
Quedate en ella y hazme sentir
Y asi, ir transformando la magia de ti
En un respiro del alma

Tu con la luna en la cabeza,
El lugar en donde empieza
El motivo y la ilusion de mi existir...

Tan solo tu, solamente quiero que seas tu
Mi locura, mi tranquilidad y mi delirio, mi compás y mi camino
Solo tu, solamente quiero que seas tu
Yo pongo en tus manos mis destino porque
Vivo para estar siempre
Contigo amor.

Ya no queda mas espacio en mi interior
Has llenado con tu luz cada rincon
Es que por ti que con el tiempo mi alma
Siente diferente...

Solo tu, solamente quiero que seas tu
Mi locura, mi tranquilidad y mi delirio, mi compás y mi camino
Solo tu, solamente quiero que seas tu
Yo pongo en tus manos mis destino porque
Vivo para estar siempre, siempre, siempre, siempre
Contigo amor


sábado, 25 de julho de 2009

Do Tempo

O compasso dos gotejos,
O sereno frio da ultima madrugada de maio...
A espera da partida.

Nas claves da sinfonia
Mil recuerdos me tomam.
Revivem nas tonalidades,
Cada um dos momentos,
Devolvendo-me em dissonâncias,
Por um instante cada sorriso,
Cada abraço,
Pausas, despedidas, idas e vindas...

As frias milongas na voz do poema
Que a noite grande compõe,
Lembra-me que estou novamente sozinho.
Bordoneada de ventos,
Tilintar de gotejos...

Na sinfonia composta pelo tempo
Só quem conhece os seus acordes
Sabe ouvir.

A mão grande da natureza
Demonstra tal carinho
Que o verso brota simples,
Singelo, como a própria compositora...

O vento para...

Um galo solo ao longe, solta o canto...
Depois, a copa das arvores altas,
Vão ditando novamente o tom
Numa segunda e numa terça...

E da mesma forma a natureza canta...

De repente tudo para.
Não há gotejos, não há o vento,
Sequer, milonga.

Um primeiro raio de sol
Traz consigo, de arrasto, o dia.
Outra sinfonia. Outra harmonia...

Quem entende desses tons
Percebe as cores do mundo,
Quem ouve tais acordes
Compreende a beleza da vida,
Quem enxerga o que eu vejo
Está em comunhão com Deus.


Madrugada - 31/05/2009 - Outono

segunda-feira, 13 de julho de 2009

... nosso próprio olhar...


"No amor verdadeiro, ao abraçarmos a pessoa amada diante de um espelho, enxergamos um corpo só, envolvido em uma única luz. E quando sozinhos olhamos nosso rosto no espelho, vemos refletido em nosso próprio olhar, o brilho dos olhos de quem verdadeiramente amamos."

sábado, 11 de julho de 2009

PACIÊNCIA

(Lenine e Dudu Falcão)

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



Passou na TV num momento especial!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Somehow

Hoje eu chorei, logo cedo...
Porque ontem adormeci sozinho.
Não por não ter com que conversar, ou por não ter assunto pra discutir com alguem, mas porque simplesmente me apequenei nos meus pensamentos, e coisas que pensei que jamais voltariam a me perturbar se fizeram presentes na minha cabeça.
Às vezes a gente pensa estar livre das coisas ruins, ou das coisas que nos perturbam, mas eu acho que quando isso acontece, serve pra nos mostrar que por mais que a gente faça alguma coisa, sempre vamos ter algo à fazer, sempre vamos precisar fazer mais, sempre. Como se todas as nossas ações fossem geradoras de outras tantas ainda, num circulo vicioso de fazer o bem, ou tentar fazer o bem...
Qual é o preço disso tudo?
Por tanto saber do que sinto, me entrego fundo ao que quero. Dou a vida, faço planos, piadas, amo infinitamente. Mas isso é suficiente, ou seria demais, excessivo?
Meu Deus, a falta que me faz as coisas que tanto quero. e sei que de alguma forma alguem sente a mesma coisa. Mas é errado querer de volta? É errado amar o suficiente pra passar por cima de qualquer tipo de barreira? O que é certo? Onde está escrito o que é certo ou errado? Quem fez as regras?
Talvez devessemos todos, deixar esses pensamentos burocráticos de lado e simplesmente se deixar levar pelo que o coração manda... Eu sou assim, sempre vou ser, sem meios termos, sem meias medidas.. inteiro, tudo ou nada. E isso é o que me faz ser o que sou, significando ou não, algo pra alguem...

"E quem um dia, irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração...
E quem irá dizer que não existe razão..."
(Renato Russo - Eduardo e Mônica)

As músicas tocam, os filmes passam, a gente diz coisas, se arrepende, e depois torna a dizer... Mas nossos sentimentos vão permanecer ali, intactos, inabaláveis e inatingíveis, inteiros, e cada dia mais forte e mais lindo...

"Cause I know that you feel me somehow"

(The Goo Goo Dolls - Íris)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Assim Sou Eu... E Me Vou. - Índio Ribeiro

Sou eu...
Sou eu que ponteia a tropa que vem na volta da estrada.
Sou eu...
Sou eu que reponto a eguada que vem na frente do gado.
Sou eu...
Sou eu de chapéu tapeado sustentando meu destino teatino.
Sou eu...

Me vou...
Me vou num grito de "venha", querendo chamar pra mim,
Anseios...
Anseios de não ser fim junto ao fundo do horizonte.
Me vou...
Me vou no mesmo reponte razões pra tanto buscando
Tropeando me vou...

Assim sou eu, e me vou entre o que sinto e o que vejo.
Coisas da sina de andejo, manhas do indio tropeiro.
Desta tropa eu sou ponteiro e o grito de "venha" é meu...
Assim sou eu, e me vou...

Talvez...
Talvez num quarto de ronda eu lembre de algo esquecido.
Talvez...
Talvez encontre algo perdido no clarão de alguma estrela.
Que talvez...
Talvez eu deseje tê-la junto a mim pra ser rainha.
Só minha, talvez...

Mas sei...
Sei que um dia serei tropa no reponte de um sorriso.
Eu sei...
Sei que tudo que preciso se resume nesse encanto.
Terei...
Terei o que adoro tanto e o que sempre me faz fiador.
A minha flor, terei...

Talvez as coisas que sei sejam muito pouco ainda,
Mas é por ti minha linda e por algo que a mim me indago,
Que de tropa em tropa eu vago e o grito de venha é meu...
É porque assim sou eu, e me vou...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Momento Catarse (inspirado da minha amiga Ursah)

Às vezes eu simplesmente fecho os olhos e me pergundo onde foi que me perdi. Alterando dias bons e sentimentos ruins (e vice-versa), sinto como se me faltasse algo que ja tive, algo que me desse orgulho em saber que fui capaz de conseguir, algo realmente importante e indispensavel na minha maneira de ver e enxergar a vida.
Eis que me pego impotente. E nesse rumo perdido, sem saber ao certo que caminho pegar, cheio de vontades, de revoluções que me atormentam a cabeça, como uma bomba-relógio nos ultimos segundos eu me aquieto, respiro, ouço algumas canções antigas, leio algumas coisas insignificantes, viajo no Youtube, e paro.
Não vou mudar em vão.
O pior de tudo nesse desatino pessoal, nesse vai e vem de sorrisos inconstantes, é que me faz bem, porque sei que de algum modo consigo proporcionar isso a alguem, tambem. E sempre no mesmo rodeio, de gostar e desgostar, eu vou seguindo, sabendo que isso tudo vai terminar com um abraço.
Sumir talvez, quem sabe pra perto, ou sumir de si. Fechar os olhos pra o mundo de fora e ouvir o que o coração manda fazer. Ninguem é capaz de saber mais da gente do que o unico meio que nos faz sentir o que sentimos. Figir de si, talvez seja a resposta, fugir do mundo e de tudo que os outros esperam que a gente seja. Não se importar se erramos, se perdemos, se simplesmente deixamos de estender a mão. Importa sim o que somos capazes de fazer para que possamos nos orgulhar de alguma coisa do passado, quando contarmos pra os nossos filhos e netos, ou pararmos pra um mate, ajujado de nostalgia.
Eu espero.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Pra Tua Ausência

(Lucas Avila de Oliveira/Cassiano Rambo)


Fiz uns versos de arremate pra ausência que eu sinto
Mas tu sabes que eu minto quando digo que esqueci,
Eu busco algo em ti que me devolva o sorriso
Porque tudo o que preciso foi nos teus olhos que vi...

Me perdi por te encontrar numa noite de outono
E assim se foi meu sono em tantas noites já passadas,
Em muitas dessas madrugadas que se perderam no vento,
Ficaram somente lamentos pra não voltarem às estradas.

Esses versos que eu fiz já não trazem o teu cheiro,
Esses versos são parceiros de um mate e de um amor,
Mas não trazem o sabor dos teus beijos aos meus sonhos,
Por isso são tão tristonhos tão ausentes de calor.

Eu vou cantar esses meus versos para as noites, lua cheia,
Pra que ela leve inteira a melodia do meu canto
E te conte num encanto, desses versos minha linda,
Pra que entendas minha vinda e me tire esse pranto...

Eu queria nesses versos dizer-te coisas bonitas,
Como os laços e as fitas que usas no teu vestido.
Mas esse verso é sentido, dói na alma por inteiro,
Por isso que esse campeiro canta com o coração partido.

Brotam versos pra mais versos, mais tristeza em canções,
Onde muitos corações se partiram em condolências
Buscando em si a essência e o sentido de te amar,
Pra nas noites de luar eu guitarrear pra tua ausência


quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sem Entender...

De fato, às vezes as coisas acontecem simplesmente por acontecer. Tudo isso que vou escrever pode parecer sem sentido, sem fundamento, simplesmente um monte de ideias confusas e sem noção alguma. De fato, são o que são... E não vão mudar.
Me encontrei mais uma vez naqueles momentos confusos onde a vida da gente se parece com uma roda gigante, em seus movimentos continuos e constantes de idas e vindas, sobes e desces, com emocionantes frios na barriga, até o marasmo de quem espera sua vez.
Constantes idas e vindas... até onde pode se chegar quem realmente acredita que é capaz de tudo? Onde anda a verdade dos olhos das pessoas? Quem foi que disse que as coisas não são tão faceis assim?
Pareço mesmo acreditar nisso tudo sozinho, que o meu mundo é realmente diferente de tantos outros que se vê por aí! Me fiz assim, simples de coração... Fácil de se compreender, então porque não deixar que eu pegue tua mão e te mostre o caminho. Já fiz isso...
Um dia quem sabe eu entenda todos os porquês de tudo o que foi feito, encontre as respostas pra todas as minhas indagações que há muito me inquietam. Acreditar em um fim comum, com flores e cheiros, com Sois e Luas, com caminhos, enfim, uma mesma estrada pra poder andar, é facil, mas porque não abrir mão de tudo e simplesmente se deixar viver... As horas que tanto se espera é capaz de chegar, só tomara que nunca seja tarde demais pra se arrepender...

"Tenho os olhos já cansados de procurar horizontes
E vou trazendo repontes que me chegam pela vida,
Às vezes eu sou partida, mas nem sempre sou o fim,
E fecho os olhos pra mim como se fosse a saida..."

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Fly Away From Here

"Quero voar pra bem longe,
Mas hoje não dá,
não tenho o que pensar,
E nem o que dizer.
Só nos sobrou do amor
A falta que ficou..."

Os Barcos - Renato Russo


Nostalgia é a palavra...
Sentimento confundido com saudade, com esperança, com recordações...
Que tudo volte a ser o que era é o desejo de quem sonha acordado, de quem pensa na vida, de quem vive esperando que o sol volte amanha...
As vezes o peito se fecha, encolhe, e o coração parece não ter espaço pra dentro... parece que pulsa, que se agranda e definitivamente voa pra perto de quem o espera...
Voar...
Fechar os olhos e sair de si... Desejei por quantas vezes ter esse dom de sair por ae vendo coisas novas e diferentes, ou a unica coisa igual, e bela, que me encanta o olhar... Olhar esmeralda espelhando mistérios...
Tenho saudade...
Nostalgia...

Enfim, desejo estar sempre por perto quando se precisar...
Vou lutar pelo que é meu, e não vou perder quando essa hora chegar...
Está tudo planejado...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

... Somos pássaro novo longe do ninho ... (Renato Russo - Eu Sei )

Um dia me falaram em liberdade... um dia eu tentei entender essa tal liberdade e todo o sentimento que a cerca... De fato, rodei, rodei, e não cheguei a lugar algum.

Como em bom sumir de si, me disseram... Desligar-se da rotina, do cotidiano, do ir e vir de dias e dias onde tudo eh muito igual, onde tudo é somente uma sequencia de dias e dias, em um sentido aparente, onde tudo é igual e as coisas as vezes nos cansam o viver...
E simplesmente sair...
Libertar-se da vida, dos dias iguais, dos rostos iguais e opiniões (insignificantes) iguais. Apenas deligar, num botão ON/OFF de rotina.Então pude entender o tal sentimento que me disseram...
Aterrei as energias que não me faziam bem, e descarreguei.
Simplesmente parti pra fazer coisas que antes não fazia...
Parei numa praça, sentei num daqueles bancos de concreto, e olhei o ir e vir de pessoas que sequer sabiam que eu existia... Uma senhora saia de uma farmacia, um senhor andava apressado com uma maleta e uma bicicleta, algumas crianças jogavam bola descalças na quadra de areia, um gato sonolento encima de um muro deixava transparecer a calmaria de quem ja estava habtuado ao barulho e a rotina do lugar onde estava...
Me senti livre...
Afinal não conhecia ninguem... somente estava ali, num lugar qualquer, fazendo nada e olhando as coisas se transformarem e o tempo passar...Me senti bem, feliz... LIVRE...Por um momento eu não era ninguém... por um momento senti vontade de fazer coisas sem importância, sem se importar se me chamariam de louco, ou sei lá, inconsequente.
Senti vontade de caminhar pelas calçadas e gritar nas portas das lojas, tocar campainhas e correr, senti a alegria de comprimentar alguem mais velho, ver o seu sorriso estampado na face, ouvir um "estou bem, e você?" de alguem que nunca vi... Falar coisas sem sentido, falar alto, FALAR SOZINHO, cantar musicas que eu gosto, viajar nos pensamentos, não me importando se gostaria ou talvez deveria voltar...
Voltei, pra minha rotina, pras minhas coisas, o trabalho, os cursos, pra minha vida... Mas quando acordei meu dia começou diferente, abracei pessoas que eu amo e disse: EU TE AMO... coisa que nunca fiz assim, por nada... só por fazer...

Acho que preciso mais disso, preciso mais de ser ninguem, mais um... nao me importar se as pessoas gostam de mim ou não, simplesmente não me importar...Não me Importo mais... acho que agora eu sei que sempre que precisar... em algum lugar eu vou ser quem nunca fui... e o que sempre quis ser... Tudo para alguem, mas um só para o resto do mundo...

Precisamos mais dessas conversas neh?
(Don Paysano)

terça-feira, 14 de abril de 2009

OLHARES DA VILA, ENCANTO DE FLOR
(Lucas Ávila de Oliveira)

Era um misto de encanto e mistério
Aqueles olhares tristes,
Duetando com o sorriso,
Do formoso rosto moreno,
De menina, flor, mulher...

Arredios, ariscos, perfeitos...
Os seus olhos eram espelhos.
Que ao aprofundar a mirada
Encontraria-se, por certo,
Tudo o que se havia de sonhar...
Assim então, quando chegou,
Causou frenesi nos vileiros,
Não era costume no povo
Se ver tamanha beleza,
Escondida num só encanto,
Num só rosto, num só olhar...

O jeito com que, pelas manhãs,
Mesmo nos dias frios
Saia às caminhadas, pelas ruas da vila,
Perdiam-se nos bailados,
Dos cabelos negros e lisos,
Os que ficavam a admirar.

Ana era dessas moças,
Que trazia o sol no sorriso
E se fosse ainda preciso,
Trazia a lua no olhar,
Ana era dessas meninas
Que queriam o mundo pra seu
Um rancho pra ser descanso,
E um coração pra morar...

Ana, desde menina,
Queria ser como o vento,
Conhecer os campos e povos
Que ouvira falar nos jornais,
Era uma pequena de sonhos,
Às vezes Terra, ou Cambará,
Das missões, flor dos trigais...

Um dia a flor do povoado
Sem razão, informe ou recado,
Parece que não desabrochou.
Como visita rotineira,
De colibri nas corticeiras
Ana, desta vez, não passeou...

Mas todos notaram a presença
De um índio que há pouco chegara,
Num flete, estrela na cara,
Outra estrela no olhar...
Bota garrão-de-potro,
Nazarena, adaga e chiripá,
O índio pealou a donzela
Como fazia "en los pagos de allá".

Pouco disse, mas sabiam,
Pois na voz trazia a essência,
A mais rude descendência
De quem vive pelo mundo,
A domar xucros e donzelas.
Pra deixar esperar nas janelas
Os corações em aperto profundo...

E outras manhãs vieram
Cada uma de diferentes tristezas
Faltava a doce beleza,
Faltava o cheiro da flor.
A vila murchou como fazem
As plantas sem o brilho do sol
Quando contaram que Ana
Fugira com o espanhol.

Ninguém até hoje acredita
Na historia da menina princesa
Que trazia um jeito de indefesa
Mas olhava o mundo de frente,
Ninguém acredita da historia
Que ainda se conta no povo
E mora nos recuerdos da gente.

Ana queria ser como o vento.
E como o vento se foi,
Muitos perguntaram depois
Mas ninguém soube responder
Ana, agora mulher,
Deixou para trás a menina
A morar apenas nas retinas
Dos Sóis de um amanhecer...

***

Dos mais velhos, dos melhores...



Abraços, Don Paysano!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Por Saber da Minha Saudade...

Horas inteiras...
falamos de tudo, de todos,
por horas inteiras...

Me bateu num fim de tarde uma nostalgia, um amargume, uma solidão.
não por haver perdido tempo, que em outros tempos seriam bem mais proveitosos,
mas por talvez renegar a outros tantos tempos que se foram com o vento, desesperansos...

"Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo...
...então me abraça forte, e me diz mais uma vez que ja estamos distantes de tudo"

(Renato Russo - Tempo Perdido)

"Talvez o tempo não possa ser medido.

Tempo é para viver
E ser vivido;
E a medida
É o que se faz na vida.

Por isso o tempo é sempre dividido.
Há tempo de brincar
De faz de conta;
Há tempo de plantar e de colher,
Tempo de florescer, tempo de amar;
Há tempo de sorrir
E de chorar...
Ou será apenas tempo de viver? "

(Colmar Duarte - Tempo de Viver)

Assim me aquietei hoje, com meu proprio tempo, após esse que a pouco passou, se findou...
voltei ao passado, como há muito fazia...
ouvi novamente as vozes que sempre me mostravam um caminho pra seguir...
As mesmas vozes, me pedindo pra parar...
Talvez por isso minha inquietude se faz mais dolorida.
Por saber que tenho todos os remédios pra curar esses belos sonhos que me cruzam a mirada,
mas que sempre me deixo ir, e voltar, e rever novos sonhos,
e sentir outros aromas, mas voltar sempre pra um mesmo lugar...
Aqui me pego novamente triste, novamente frio... Saudoso, amargo, e calado...
pras minhas dores, pra os meus anseios...
e pras esperanças que me levam pra dentro de mim...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sem Mais a Adicionar...

Mas pra’o Antonio, a distância
era um vício, uma doença...
...e de tanto andar sem rumo,
sem ter um lá...um aqui...
sentiu, um dia, a distância
crescer por dentro de si... 
(Guilherme Collares - Para Entender a Distância No Coração de Um Tropeiro)


Não senhores, não vou falar de sonhos,
de pátrias e bandeiras, nem tão pouco lamentar amores, sou dores...
cheguei pra contar historias, falar do tempo,
dos sentimentos que mudam tudo, que mudam pouco...
que levam embora outros tantos sentimentos...

apenas deixar a alma transcender por entre as vozes,
de tantos sabios poetas, cantadores, guitarreiros...
deixar a voz ditar regras, plantar hinos, calar fundo...

talvez numa saudade contida, entenda enfim o que busco,
talvez o rumo dos ventos enfim me mostre o caminho...
mas enquanto toco meu tempo, assim, sem razoes nem sentido
vou versejando o que quero, do que sei, do que procuro...

Se acheguem patricios, puxem um cepo, toma um mate... 
Que daqui a pouco alguem solta um verso, ou uma milonga campeira...

Don Paysano