O sereno frio da ultima madrugada de maio...
A espera da partida.
Nas claves da sinfonia
Mil recuerdos me tomam.
Revivem nas tonalidades,Cada um dos momentos,
Devolvendo-me em dissonâncias,
Por um instante cada sorriso,
Cada abraço,Pausas, despedidas, idas e vindas...
As frias milongas na voz do poema
Que a noite grande compõe,
Lembra-me que estou novamente sozinho.
Bordoneada de ventos,
Tilintar de gotejos...
Na sinfonia composta pelo tempo
Só quem conhece os seus acordesSabe ouvir.
A mão grande da natureza
Demonstra tal carinho
Que o verso brota simples,
Singelo, como a própria compositora...
O vento para...
Um galo solo ao longe, solta o canto...
Depois, a copa das arvores altas,
Vão ditando novamente o tom
Numa segunda e numa terça...
E da mesma forma a natureza canta...
De repente tudo para.
Não há gotejos, não há o vento,
Sequer, milonga.
Um primeiro raio de sol
Traz consigo, de arrasto, o dia.
Outra sinfonia. Outra harmonia...
Quem entende desses tons
Percebe as cores do mundo,
Quem ouve tais acordes
Compreende a beleza da vida,
Quem enxerga o que eu vejo
Está em comunhão com Deus.
Madrugada - 31/05/2009 - Outono
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