sábado, 25 de julho de 2009

Do Tempo

O compasso dos gotejos,
O sereno frio da ultima madrugada de maio...
A espera da partida.

Nas claves da sinfonia
Mil recuerdos me tomam.
Revivem nas tonalidades,
Cada um dos momentos,
Devolvendo-me em dissonâncias,
Por um instante cada sorriso,
Cada abraço,
Pausas, despedidas, idas e vindas...

As frias milongas na voz do poema
Que a noite grande compõe,
Lembra-me que estou novamente sozinho.
Bordoneada de ventos,
Tilintar de gotejos...

Na sinfonia composta pelo tempo
Só quem conhece os seus acordes
Sabe ouvir.

A mão grande da natureza
Demonstra tal carinho
Que o verso brota simples,
Singelo, como a própria compositora...

O vento para...

Um galo solo ao longe, solta o canto...
Depois, a copa das arvores altas,
Vão ditando novamente o tom
Numa segunda e numa terça...

E da mesma forma a natureza canta...

De repente tudo para.
Não há gotejos, não há o vento,
Sequer, milonga.

Um primeiro raio de sol
Traz consigo, de arrasto, o dia.
Outra sinfonia. Outra harmonia...

Quem entende desses tons
Percebe as cores do mundo,
Quem ouve tais acordes
Compreende a beleza da vida,
Quem enxerga o que eu vejo
Está em comunhão com Deus.


Madrugada - 31/05/2009 - Outono

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